Por uma noite ou por uma vida?‏

28 de jan de 2015

Vesti minha melhor roupa, passei meu batom vermelho, borrifei o perfume com a essência mais gostosa que já senti em minha vida e saí de casa. Era só mais uma sexta-feira como as anteriores: Sairia para um lugar cheio de pessoas vazias com copos cheios. Algo normal para aqueles que estão no auge de sua juventude, onde tudo o que querem é ultrapassar todos os limites da loucura e ter histórias engraçadas para contar no dia seguinte.

Eu estava sozinha em um canto bebendo uma dose de uma bebida alcoólica qualquer para ver se aquele lugar se tornava um pouco mais agradável e talvez isso tenha parecido um convite para o rapaz que estava do outro lado do bar analisando meus movimentos há alguns minutos. Ele não percebeu que eu percebi que ele tinha percebido que eu estava ali... E veio bater um papo. Tentou falar de um assunto qualquer e, por incrível que pareça, o papo fluiu. Conversamos sobre nossas bandas favoritas, os piores filmes de terror que já assistimos, sobre o quanto a menina que estava no meio da pista estava dançando engraçado - e o quanto queríamos nos enfiar ali no meio e dançar como ela. Conversamos, também, sobre os últimos livros que lemos, sobre quais planos tínhamos para o futuro e rimos do bêbado ao lado que estava tentando investir na menina mais grossa, mal humorada e metida da balada.

Nosso papo foi tão bom que eu não podia sair dali sem provar ele... Me desprendi de todos os rótulos tolos que a sociedade impõe e lasquei um beijo de cinema naquele rapaz. Ele pareceu não entender, mas gostar (notei isso porque ele sorriu durante o beijo...E que beijo!). Ficamos a noite inteira juntos. Sem ligar para a música alta que nos fazia conversar aos berros e bebendo o suficiente para nos fazer rir, falar dos assuntos mais improváveis e curtir aquela noite como se fosse a última.

Ninguém entendeu nada... Nem as minhas amigas que estão acostumadas comigo sempre desprendida de tudo e todos por aí, nem o garçom que flertei no começo da balada para conseguir umas doses extras e nem eu. Mas estava evidente em meu olhar que eu queria curtir e ele também (algo previsível de se esperar de alguém que conhecemos em uma balada). Curtirmos e nos curtimos. A noite inteira. Até o DJ cansar de tocar a mesma playlist e os seguranças pedirem, gentilmente, para sairmos. E, nós, bêbados, rindo da situação, pedindo para ficar um pouco mais. Não queríamos que aquela noite acabasse.

O beijo encaixou perfeitamente e acho que, se dependesse de nós, ficaríamos ali até não poder mais... Quer dizer, ficamos. A pista esvaziava, as músicas de fim de balada começavam a tocar e todos os nossos amigos nos imploravam para nos despedirmos. Demos os últimos beijos e, entre um deles, ele pediu meu número. Hoje em dia passar o número é tão comum... Por que não?

Acordei no dia seguinte lembrando do quão louca e boa tinha sido a noite anterior... E um pouco arrependida. Ter passado o número errado talvez tenha sido uma das maiores burradas que já fiz e talvez eu tenha deixado escapar o amor da minha vida... Mas pode ser que tenha sido melhor assim: Acordar esperando por uma ligação que pode ser que nunca chegue é algo completamente destruidor. Ter certeza que uma ligação nunca chegará dói... Mas não destrói as esperanças de quem já não tem.

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