O grande (des?)prazer de sentir nada.‏

9 de abr de 2015

Eu demorei pra chegar a essa conclusão, mas eu queria compartilhar com alguém: Descobri algo espetacular nessa última madrugada que passei comigo mesma. Isso pode parecer loucura, mas ficar em casa com a televisão no mudo enquanto você pensa sobre os últimos meses de sua vida pode funcionar como um momento de autoconhecimento incrível e fazer você chegar à conclusões que nunca chegaria caso estivesse em qualquer outro lugar. Faz bem pra alma, coração e cabeça refletir sobre o que mudou em você e na sua forma de pensar durante os últimos tempos.
Eu descobri, num momento comigo mesma, que mentiram pra gente quando disseram que existem apenas os apaixonados e os desapaixonados (que geralmente são aqueles amargurados que tem uma certa inveja dos apaixonados). Descobri que existem também aqueles que não sentem nada. Fria, insensível, indiferente, esmorecida. Não sei como podemos chamar esse tipo de gente, mas eu queria declarar que faço parte desse grupo de pessoas que perdeu o interesse em encontrar alguém. Ao contrário daqueles que usam suas decepções amorosas para culpar sua falta de amor, eu queria dizer que tudo isso é porque aqui, dentro de mim, ele transborda. Justamente por ter amor demais, da cabeça aos pés, eu não consigo sentir nada. Por ninguém. Porque descobri também que sou prepotente e egoísta, não acho que alguém mereça receber todo esse sentimento que eu tenho guardado aqui dentro. Tipo aquelas crianças mimadas que ganham brinquedo novo mas não tiram da caixa; não brinco mas também não deixo ninguém brincar. Não empresto mas também não tento ver o que o próximo tem pra emprestar, pra dividir e, quem sabe, pra somar. Não me arrisco. Vivo naquela famosa inércia. Onde se acomodar é mais fácil do que ir atrás de algo que não vale a pena.... Ou vale?
Deve ser porque está faltando gente interessante no mundo, gente de verdade, gente que conversa e olha no olho, pergunta e quer saber a resposta, gente que acha que qualquer tipo de relação enriquece... Está faltando GENTE AFIM DE CRIAR LAÇOS E SE EMBARAÇAR, assim, com letra maiúscula. Está faltando conversa cara a cara, comprometimento, fidelidade, sinceridade, investimento, palavras ditas... Está faltando gente que não venha em vão; mas parece que só tem pessoas que vem e vão. E vão mesmo. Vão porque nenhuma contagia, encanta, conquista.... Vão porque nenhuma parece ser boa o suficiente para fazer a gente ultrapassar aquele enorme "nada" que sentimos e pedir para ficar.
Concluí, também, que talvez essa apatia pelo próximo seja uma doença grave e que esteja infectando grande parte da população. Ninguém quer mais se deixar permitir. Se permitir conhecer e ser conhecido. Ficar na zona de conforto parece ser muito mais vantajoso... Percebi isso outro dia conversando com algumas amigas, uma delas me perguntou "e você e o fulano?" e antes mesmo de pensar na possibilidade de ter uma chance de 0,01% de eu e ele sermos nós, já respondi que nunca daríamos certo – e talvez eu não estivesse disposta a fazer essa história dar certo. Porque, sei lá, tem gente que a gente até pode achar interessante... Como esse cara que a minha amiga me perguntou, mas a preguiça de tentar descobrir se sou interessante pra ele bate, nocauteia e me ganha. Assim tem sido, não só com esse cara, mas, com todos os outros também. Porque, querendo ou não, assumindo ou não, a gente acha que a vida é um filme sem roteiro mas que tudo será arrebatador. Você estará tranquila andando na rua quando de repente um rapaz incrível esbarrará em você sem querer e deixará suas coisas caírem e, quando vocês estiverem recolhendo todos aqueles cadernos e folhas espalhados pelo chão, vocês se olharão e uma música romântica começará a tocar no fundo. Mas, na verdade, a chance de isso acontecer é menor do que a minha chance de dar certo com aquele cara lá... E na maioria das vezes o que faz uma história dar certo é a sua vontade e disponibilidade para se deixar cativar.
Hoje em dia o mistério acabou. Tal mistério que fazia as famosas borboletas entrarem em ação e o coração acelerar... Hoje em dia não nos arriscamos nem nos expomos. Não precisamos atravessar a cidade para poder encontrar a pessoa e passar a tarde (ou uma vida toda) para descobrir o que ela gosta de ouvir, assistir, quais são suas paixões, metas de vida e seus maiores medos. A informação hoje bate em nossas porta e nós, tolos, achamos que ter um bocado de informações superficiais são suficientes para fazer acharmos que conhecemos o outro - ah, como somos bobinhos!
Deve ser por isso que às vezes acho que nasci na época errada... Porque acredito que todo aquele amor, que comentei no começo desse grande desabafo, não mereça ser desperdiçado; Mas também assumo que ele não será entregue de mão beijada para quem não sabe o que fazer com tanta informação. Então vivo sentindo "nada"... Porque a zona de conforto me parece um lugar maravilhoso para se viver e não saio dela por nada.... A não ser que alguém se disponha a me mostrar que, apesar de todo o pessimismo no amor e a apatia pelas pessoas, ainda existem algumas que valem a pena. Ou a espera. Ou esse tempo todo sentindo nada mais nada menos que: nada.

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